[Análise] Dante's inferno: A divina comédia nas suas mãos!

O caminho para o Inferno é curto. Ou melhor, é tempestuoso, voraz, melancólico, asqueroso e profundamente horripilante. Quando vivenciamos o protagonista no game Dante’s Inferno, nos tornamos mais do que um personagem: somos parte da sua culpa.

Esse sentimento pesado e verdadeiro é o que nos impulsiona durante todas as fases. Viver o desespero de outro ser é algo nefasto com a nossa realidade, contudo, nos identificamos com a sua agonia.

O jogo é baseado na primeira parte do poema épico medieval ‘A Divina Comédia‘, de Dante Alighieri. Assumimos o papel do próprio Dante e encaramos uma viagem para o inferno, onde buscamos encontrar Beatrice, sua amada. Essa caminhada é dividida em nove círculos de sofrimento (Limbo, luxúria, gula, avareza, ira, heresia, violência, fraude e traição) e contamos com o poeta Virgílio como guia da jornada. Obra possui uma ambientação medieval de inferno e purgatório que serviu de conceito descritivo para o mundo ocidental.

O amor focado em Beatrice é a motivação necessária para o embate. Somos levados para um mundo completamente desfigurado, contudo, identificamos pensamentos obscuros em volta do cenário. A inserção nesse mundo temido pela humanidade é profundamente real. A identificação com a ambientação dos círculos incomoda, mas diverte.

Logo no começo da odisseia nos deparamos com uma situação inesperada. Em uma luta apocalíptica, arrancamos a Foice da própria ‘Morte’ e a despachamos para outro plano. Logo de cara já encaramos algo que está no ápice dos nossos mais profundos anseios: a morte. Em seguida encotramos nossa segunda arma: uma cruz que pertenceu a Beatrice. Esse primeiro passo empolga e nos coloca na contextualização necessária para continuar jogando. Os cenários estão caprichados. A Visceral Games fez um bom trabalho para aproximar o inferno e o purgatório naquilo que Dante visualizou. Nos deparamos com a mais profunda escória humana e o nojo, muitas vezes, é contudente.

Podemos, também, absolver ou punir os inimigos e certos personagens ilustres, como Pilatos e  Orfeu. Esse momento é surreal, pois, além de conhecermos um pouco mais sobre  história, a cada escolha, a barra do ‘bem’ ou do ‘mal’, aumenta e podemos destravar outros golpes e aperfeiçoar magias, defesas etc. Não há uma mudança categórica de enredo embasada nas nossas escolhas. Tanto faz absolver ou punir, e isso, no decorrer da jogatina, perde o sentido.

A trama é contada de duas formas: cenas de ação em alta definição (são memoráveis) e em formato de animação 2D (são estáticas, mas instigantes e fortes). Sim, a profundidade da história é evidente a cada segundo. Infelizmente, existe um pequeno ‘abismo’ entre as cenas de animação em alta definição e a movimentação in-game. Com essa evidência saltando os olhos o game, infelizmente, perde um pouco o brilho.

A ambientação de cada círculo está de acordo com os seus pecadores. O estágio da gula é assombroso e merece destaque.É comum identificarmos almas presas nas paredes, sofrendo, gritando por socorro e agonizando. Esse ponto foi bem trabalhado. Vale lembrar que Dante’s Inferno é um jogo para adultos, e cenas de nudez  masculina e feminina são comuns.

O som está bem distribuído e as dublagens são boas. A ambientação com grunhidos, gritos, choros e pedidos de clemência estão inseridos para que a tensão seja evidente. Mas, para quem conhece o trabalho da Visceral Games em Dead Space, entende porque esse quesito está refinado. Os sustos e gritos no jogo espacial são muito comuns e reais.

Os controles são bons. Apenas isso. Na execução dos combos sentimos a imprecisão dos comandos, pois a velocidade de execução e resposta das sequencias  deixam a desejar. Plasticamente os golpes são exuberantes, especialmente os desferidos pela Cruz. No momento de punição ou absolvição, temos que seguir os comandos propostos, bem característico de God Of War, onde destroçamos os inimigos ao meio, cortamos suas cabeças ou encostamos a Cruz nos seus corpos e eles são salvos.

Agora, a câmera, que também é uma cópia de God Of War, é ruim. Ela é fixa e atrapalha a visão total do cenário. Muitas vezes ela afasta demais e perdemos o contato com a cena em questão. Esse quesito prejudica a própria visualização de outros conteúdos do game. Infelizmente a câmera não segue o padrão GOW e empobrece o projeto.

Dante’s Inferno é um bom jogo. Poderia ser ótimo se não falhasse em pontos crucias. Entretanto, vale a pena o investimento nessa aventura. Entender esse mundo criado há tanto tempo é uma saborosa experiência. Os círculos, a aventura, a miséria e os pressupostos da raça humana estão nas profundezas do inferno e, assim,  caracterizadas em cada uma das fases. Dante Alighieri era um gênio e estamos lidando com uma forma interativa da sua obra. Videogame é isso!

Gráfico – 7.5

Som – 9

Desafio – 7

Enredo – 9.5

Jogabilidade – 6.5

Diversão – 7.5

Final – 7.8

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