[Análise] Final Fantasy XIII (X360): Um gênero estagnado ganha nova chance de renovação

Vamos lá. Mais uma análise feita por um amigo… Dimitri Robles, criou vergonha na cara e decidiu escrever sobre Final Fantasy. Como já é de praxe, se quiser ver seu texto publicado no Push Start, basta encaminhar o arquivo para rodrigo@ezoneonline.com.br, sem pestanejar, ele será degustado por todos que acompanham o site….Muito obrigado e espero que não seja o último ein!!!! Apreciem…

Por: Dimitri Robles

RPG´s sempre foram os maiores expoentes de um estilo que não existe meio termo: ame ou odeie! Dentro dessa classe, talvez a maior e mais importante franquia seja Final Fantasy. Games que sempre foram orgulhosamente a essência do desenvolvimento oriental, mas que conseguiram romper as barreiras da língua e da cultura para conquistar o mundo.

Em sua 13ª aventura “oficial”, Final Fantasy chega a mais um momento ‘divisor de águas’ tanto para a franquia em si quanto para o estilo JRPG. É possível evoluir depois de treze edições que nunca repetiram fórmulas?! É viável melhorar o que já era quase perfeito?! Essas perguntas são respondidas de forma clara e direta logo nos primeiros minutos de jogatina.

L’Cie, Fal’Cie e outros complicados nomes para entender Final Fantasy XIII

A começar, para quem não sabe, FF sempre foi uma franquia que nunca repetiu um elenco e ou uma história (exceto pelo spin-off de Final Fantasy X-2) e nesse novo momento, não é diferente. Os protagonistas andrógenos e cheios de zíperes nas roupas dão lugar a uma confusa e agressiva garota chamada Lightning. A trama gira em torno de Cocoon, um planeta controlado por fanáticos religiosos que banem para Pulse, o mundo inferior, pessoas consideradas L’Cies, (que foram escolhidas pelas divindades Fal’Cies para alguma missão), que (os tais fanáticos) julgam ser o extermínio da sociedade perfeita e controlada de Cocoon. Ou seja: banem todo tipo de pessoa para o exílio para evitar problemas futuros. Lightning é uma das pessoas que estava a caminho do banimento (ou extermínio, como se descobre) e resolve assumir seu posto de rebelde tentando salvar o mundo que a excluiu de sua existência.

Lightning, Snow e um elenco de fazer inveja

A protagonista se junta a um grupo carismático de personagens como há tempos não víamos em um RPG. Snow é o apaixonado metido a herói. Sazh é o paizão da galera e apesar de medroso, o único com um pouco de juízo (e um filhote de chocobo) na cabeça. Vanille é uma meiga e poderosa garota que esconde sua verdadeira história atrás de sorrisos carismáricos e poses típicas de personagens de mangá. Hope é um personagem perdido,  que viu sua mãe morrer  na guerra em que se envolveu e culpa Snow por isso. Apesar de um elenco forte de protagonistas que quase fogem do clichê de “adolescentes unidos para salvar o mundo”, o game carece de um vilão memorável como Sephiroth e outros inesquecíveis. A organização opositora é uma apologia clara aos governos e religiosos do mundo real, mas uma personificação exata de quem é exatamente esse mal no universo do game, faz falta e deixa a trama muitas vezes sem o jogador saber  o porquê da luta.

Lightning, por outro lado, é uma das melhores criações da Square Enix desde o icônico Cloud de Final Fantasy VII. Uma personagem densa, profunda e ainda assim claramente confusa, que luta para se redimir de uma culpa que ela nem tem certeza se é sua. Ela possui todos os ingredientes para ser lembrada dentro pó r muito tempo,  mesmo que o game do qual faz parte talvez não tenha o mesmo destino.

Magia, fantasia e uma sensação inexplicável pela primeira vez na atual geração

Na versão testada, a do Xbox360, os gráficos simplesmente são espetaculares. Os CG’s usados para contar as histórias são tão bons e detalhados quanto os vistos em Final Fantasy VII: Advent Children, com a diferença que se somados, dariam bem mais do que uma dúzia de longa-metragens (sim, são frequentes).

Quando você finalmente controla a aventura, o game impressiona até os mais céticos sobre a sua qualidade. Os gráficos são lindos, detalhados e rodam a invejáveis frames sem nenhum engasgo, mas ainda assim, a diferença entre o jogo e as cenas de corte é gigantesca. O destaque especial fica para os cabelos de todos os personagens, que movem-se de maneira natural e denotam o cuidado da criação fio a fio.

Onde a aventura ocorre, certamente, o deixará embasbacado. Seja pelo perfeccionismo da produtora em criar um mundo que só seria possível em Final Fantasy, ou pelo cuidado nas fases mesmo que extremamente lineares, visualmente únicas e impactantes. Se você se identificar com Pulse logo de cara, espere para conhecer o lago Bresha, que nada mais é que um reino todo cristalizado.

Sem loadings para atrapalhar o salvamento do mundo

Mesmo com tantas expressões faciais, movimentações variadas, cenários detalhados ou inimigos diferentes, FFXIII tem um diferencial que games como The Last Remnant matariam para ter: os loadings. Entre um encontro e o começo de uma luta praticamente não existem, e o mesmo se aplica as mudanças entre cenas de corte. Tal ferramenta ajuda não só a manter os não-fãs de RPG que odeiam os longos carregamentos, mas colaboram com a imersão já que entre um diálogo e outro, você vê algo acontecendo e não uma tela estática.

RPG de verdade focando em qualidade e acessibilidade

Final Fantasy XII foi um dos responsáveis por uma das mais profundas mudanças em toda a fórmula já conhecida das versões anteriores. Saem os encontros randômicos e entram os inimigos em tempo real na tela. Tal mudança foi mantida em Final Fantasy XIII e promovem a liberdade de escolher se quer lutar, contra quem lutar e contra quantos lutar ao mesmo tempo.

Se o sistema de encontro permaneceu intacto, a jogabilidade afirmo que foi refeita. O combate em tempo real do último game deu lugar a uma mistura dos antigos sistemas de turno associados a uma barra de tempo, que limita e controla as ações do seu personagem, não por vez de cada personagem, e sim por tempo de execução de um golpe ou magia específicos.

O novo sistema traz a série algo que FFXII perdeu: o poder da acessibilidade. Se antes entender os complexos gambits e estratégias afastava os jogadores, em XIII você apenas senta e joga. Não que a estratégia não seja necessária, todavia a simplicidade na maneira como você luta (sem vários menus e nenhuma enrolação) e até os level-ups de cada personagem (feito agora pelo sistema chamado Crystarium) mostram a capacidade da Square Enix não só de evoluir, mas de filtrar os acertos e erros do passado e recentes numa mistura agradável e empolgante de se jogar um RPG.

O novo e o velho se encontram criando assim algo quase perfeito

Mesmo sabendo que algumas pessoas torcem o bico quando o assunto é Final Fantasy, o game é uma experiência que merece ao menos uma chance.

Os gráficos são aliados a uma fluidez raramente vistas no gênero, somado ao fato do sistema de combate totalmente refeito. Pegue tudo isso e misture adicionando um toque de perfeccionismo típico da Square Enix: uma história envolvente e um longo período de desenvolvimento, e você verá, assim,  que Final Fantasy não é apenas o primeiro da série da nova geração, é, sim,  o primeiro a dar um passo adiante no gênero mesmo que isso signifique dar alguns passos para trás para resgatar tudo que a franquia aprendeu até aqui e elevar isso ao máximo. E isso, garanto, Final Fantasy XIII faz com louvor e é pedida obrigatória para sua coleção.

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3 Respostas

  1. Que texto lindo! Quem fez?! aehahehahea
    Ro… parabéns pela revisão e edição com imagens, mas vale o toque que a segunda imagem é do ainda naum lançado Final Fantasy Versus XIII exclusivo (por enquanto) do PS3 🙂 Se quiser mudar… sao games beeeeeeeeeeeem diferentes ^^

    Abraços e valeu pelo espaço! Precisando, é nóis!

  2. FFXIII é simplesmente animal. Outra grande análise dimi, parabéns. Porém, estou louco para ver o Versus XIII. Desde que mostraram o primeiro trailer do mesmo eu tenho orgasmos múltiplos sempre que assisto

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